Resposta rápida: «Péptidos de regeneração» é um nome informal para um grupo de péptidos curtos que aparecem muitas vezes na literatura pré-clínica sobre cicatrização, inflamação e reparação de tecidos. Os mais estudados são o BPC-157 e o TB-500, a que se juntam o KPV, o ARA-290, o Peptide-5 e a timosina alfa 1. Cada um atua numa via diferente, e quase toda a evidência vem de estudos em células e em animais.
Quem pesquisa péptidos de regeneração (no Brasil, «peptídeos») encontra listas que misturam compostos com origens e mecanismos muito diferentes. Este artigo arruma o grupo: o que é cada péptido, que via é estudada e como se relacionam entre si.
O que são péptidos de regeneração?
Não são uma classe farmacológica formal. O nome junta péptidos e fragmentos de péptidos que surgem com frequência em estudos de cicatrização e regeneração. São investigados porque os modelos laboratoriais de lesão, inflamação e migração celular permitem observar, em condições controladas, como sequências curtas de aminoácidos interagem com as vias da reparação.
As áreas mais descritas na literatura são:
- Angiogénese e sinalização vascular, incluindo vias ligadas ao fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF).
- Lesões de tecidos moles, como tendões, ligamentos e músculo esquelético, em roedores.
- Dinâmica da actina e migração celular.
- Matriz extracelular e atividade dos fibroblastos, em modelos dérmicos e de tecido conjuntivo.
- Sinalização inflamatória e modulação de citocinas.
Que péptidos de regeneração são mais estudados?
BPC-157
Pentadecapéptido sintético (15 aminoácidos) derivado de uma sequência parcial de uma proteína do suco gástrico humano. Tem uma das maiores literaturas pré-clínicas do grupo: tendões, ligamentos, músculo, osso, mucosa gastrointestinal e vias de angiogénese como a do recetor VEGFR2. Disponível em frasco de 10 mg.
TB-500
Péptido sintético relacionado com a timosina beta-4, uma proteína de 43 aminoácidos que se liga à actina. É estudado em modelos de migração celular, angiogénese e reparação dérmica. Pode ver-se a comparação direta em BPC-157 vs TB-500.
KPV
Tripéptido formado por lisina, prolina e valina, que corresponde ao fragmento C-terminal da hormona estimulante dos melanócitos alfa (alfa-MSH). É estudado pela ação sobre a sinalização inflamatória em modelos celulares e animais, incluindo modelos de inflamação intestinal, e pela modulação imunitária. Disponível em KPV 10 mg.
ARA-290 (cibinetide)
Péptido sintético derivado de uma região da eritropoietina (EPO). Ao contrário da EPO, não é estudado pela via clássica da produção de glóbulos vermelhos, mas pela sinalização através do chamado recetor de reparação inata. Aparece na investigação de proteção de tecidos e em modelos neuroimunes, incluindo a sinalização da dor ligada ao recetor TRPV1. A sua evidência inclui estudos pré-clínicos e alguma investigação clínica. Disponível em ARA-290 10 mg.
Peptide-5
Péptido mimético da conexina 43, com a sequência VDCFLSRPTEKT. A conexina 43 é uma proteína que forma junções comunicantes (gap junctions) e hemicanais entre células. Os péptidos miméticos servem de ferramenta para estudar estes canais em modelos laboratoriais. Disponível em Peptide-5 5 mg.
Timosina alfa 1
Péptido de 28 aminoácidos isolado originalmente do timo. É um dos péptidos tímicos mais estudados em imunologia, sobretudo na maturação e função das células T e nas vias dos recetores do tipo Toll. Entra neste grupo pelo lado imunitário da reparação. Disponível em timosina alfa 1 5 mg.
PE22-28
Péptido de sete aminoácidos derivado da espadina, estudado como bloqueador do canal de potássio TREK-1. Não é um péptido de reparação de tecidos no sentido clássico. Entra nesta conversa porque, na família da espadina, a neurogénese no hipocampo surge como um dos resultados medidos em estudos com animais. Disponível em PE22-28 5 mg.
O GHK-Cu, um tripéptido ligado ao cobre, completa muitas vezes esta lista. O artigo GHK-Cu, cabelo e pele trata dele em separado.
Como se comparam estes péptidos?
| Péptido | Origem | Via mais estudada | Formato na PureChems |
|---|
| BPC-157 | Sequência do suco gástrico | Tendões, ligamentos, mucosa, angiogénese | 10 mg, pó liofilizado |
| TB-500 | Timosina beta-4 | Actina e migração celular | 10 mg, pó liofilizado |
| KPV | Fragmento da alfa-MSH | Sinalização inflamatória | 10 mg, pó liofilizado |
| ARA-290 | Região da eritropoietina | Recetor de reparação inata | 10 mg, pó liofilizado |
| Peptide-5 | Mimético da conexina 43 | Junções comunicantes e hemicanais | 5 mg, pó liofilizado |
| Timosina alfa 1 | Timo | Células T e imunidade | 5 mg, pó liofilizado |
| PE22-28 | Espadina | Canal TREK-1 | 5 mg, pó liofilizado |
O que diz, e o que não diz, a evidência?
O interesse científico nestes péptidos vem sobretudo de estudos em roedores e em cultura celular publicados nas últimas duas décadas. As revisões da área sublinham que a maior parte da evidência é pré-clínica e que os mecanismos ainda estão a ser caracterizados.
Isto tem duas consequências práticas. Primeiro, um resultado num modelo animal descreve o que acontece nesse modelo, não noutro organismo. Segundo, os estudos nem sempre concordam, porque variam o tipo de célula, a estirpe animal, a concentração e o método de medição. A leitura sensata cruza vários estudos e começa pelas revisões.
Como manusear estes péptidos no laboratório?
Todos os péptidos desta lista chegam da PureChems em pó liofilizado, com conservação indicada entre 2 e 8 °C e ao abrigo da luz. As boas práticas são as mesmas para o grupo:
- Deixar o frasco selado chegar à temperatura ambiente antes de o abrir, para evitar condensação.
- Reconstituir com um solvente adequado, como água bacteriostática ou uma solução diluída de ácido acético, conforme a solubilidade do péptido.
- Dividir a solução em alíquotas para limitar ciclos de congelação e descongelação.
- Etiquetar cada recipiente com composto, concentração e data.
O passo a passo está em como reconstituir péptidos, e a escolha do solvente em água bacteriostática ou ácido acético.
Onde comprar péptidos de regeneração para investigação?
Na PureChems, cada um destes péptidos tem pureza igual ou superior a 99%, verificada por HPLC e espectrometria de massa num laboratório independente, e Certificado de Análise para cada lote. O envio é discreto e com seguimento, a partir da UE, e o pagamento aceita cartão, Google Pay e criptomoedas. Para o TB-500 em particular, veja o guia comprar TB-500 em Portugal.
Perguntas frequentes
Os péptidos de regeneração são uma classe farmacológica?
Não. É um agrupamento informal, baseado na presença comum destes péptidos na literatura pré-clínica sobre cicatrização e regeneração.
Qual é o péptido de regeneração mais estudado?
O BPC-157 é um dos mais estudados, com uma literatura pré-clínica extensa sobre tendões, ligamentos e mucosa gastrointestinal.
Qual a diferença entre KPV e ARA-290?
O KPV é um tripéptido derivado da alfa-MSH e estudado na sinalização inflamatória. O ARA-290 deriva da eritropoietina e é estudado pela sinalização através do recetor de reparação inata e em modelos neuroimunes.
A timosina alfa 1 é o mesmo que o TB-500?
Não. São péptidos diferentes. O TB-500 está relacionado com a timosina beta-4 e com a actina; a timosina alfa 1 é um péptido tímico de 28 aminoácidos estudado em imunologia.
Estes péptidos destinam-se a uso humano?
Não. São materiais de investigação e não se destinam a uso humano nem veterinário.
Apenas para fins de investigação. Não se destina a consumo humano ou animal.