Na comparação Semax vs Selank, o que decide é a molécula de origem. Os dois são heptapéptidos sintéticos, ou seja, cadeias de sete aminoácidos, com a mesma cauda estabilizadora Pro-Gly-Pro. O Semax deriva de um fragmento da hormona adrenocorticotrófica, a ACTH(4-10); o Selank deriva da tuftsina, um péptido imunomodulador. Por isso o Semax é estudado sobretudo em cognição e neuroproteção, e o Selank em modelos de ansiedade e de sinalização imunitária.
No papel parecem irmãos. Na literatura, não são tratados como rivais. Este artigo explica porquê.
O que são o Semax e o Selank?
Os dois nasceram de trabalhos da Academia de Ciências da Rússia e foram construídos sobre uma molécula natural, à qual se acrescentou uma pequena extensão para resistir às enzimas.
Semax
É um análogo sintético do fragmento ACTH(4-10). A sequência é Met-Glu-His-Phe-Pro-Gly-Pro. A cauda Pro-Gly-Pro foi acrescentada ao fragmento ativo para abrandar a degradação enzimática. Na literatura é agrupado com os péptidos nootrópicos e neuroprotetores.
Selank
É um análogo sintético da tuftsina (Thr-Lys-Pro-Arg), um péptido imunomodulador que o próprio organismo produz. A sequência é Thr-Lys-Pro-Arg-Pro-Gly-Pro, com a mesma extensão Pro-Gly-Pro. É descrito sobretudo em investigação ansiolítica e imunorreguladora, mais do que em cognição.
Para que serve a cauda Pro-Gly-Pro?
O ACTH(4-10) e a tuftsina são péptidos curtos que as enzimas partem depressa. Acrescentar o segmento Pro-Gly-Pro na extremidade C-terminal protege a sequência ativa dessa degradação. É o mesmo truque de engenharia aplicado a duas moléculas muito diferentes, e é por isso que os dois péptidos terminam da mesma forma, apesar de começarem de forma distinta.
Daqui sai uma consequência prática: a semelhança no desenho não diz nada sobre a semelhança na função. A biologia de cada um vem da parte herdada da molécula de origem.
Semax vs Selank: as diferenças numa tabela
| Semax | Selank |
|---|
| Tipo | Heptapéptido sintético | Heptapéptido sintético |
| Sequência | Met-Glu-His-Phe-Pro-Gly-Pro | Thr-Lys-Pro-Arg-Pro-Gly-Pro |
| Molécula de origem | Fragmento ACTH(4-10) | Tuftsina |
| Desenho comum | Cauda Pro-Gly-Pro | Cauda Pro-Gly-Pro |
| Família de investigação | Nootrópicos e neuroproteção | Ansiolíticos e imunomodulação |
| Ponto em comum | Alterações do BDNF em roedores | Alterações do BDNF em roedores |
| Formato na PureChems | Pó liofilizado, 10 mg | Pó liofilizado, 10 mg |
A forma mais útil de os ver: a mesma estratégia de engenharia, territórios biológicos diferentes.
O que estuda a investigação em cada um?
Quase todo o trabalho publicado foi feito em roedores e em sistemas in vitro. O fio condutor é o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF): os dois foram associados a alterações deste fator, mas são estudados para perguntas diferentes.
Linhas de investigação do Semax
- Modulação do sistema BDNF e do seu recetor TrkB no hipocampo de roedores, em testes de aprendizagem e memória.
- Atividade neuroprotetora em modelos animais de isquemia cerebral e de stress oxidativo.
- Expressão de genes de neurotrofinas (BDNF e NGF) em várias regiões do cérebro do rato.
- Interações com os sistemas dopaminérgico e serotoninérgico em baterias de testes comportamentais.
Linhas de investigação do Selank
- Perfis de tipo ansiolítico em modelos de roedor, estudados sem a sedação observada com alguns compostos de referência.
- Modulação da sinalização GABAérgica e monoaminérgica em estudos com animais.
- Regulação do BDNF no hipocampo e no córtex pré-frontal, em testes de memória.
- Efeitos imunomoduladores e ligados ao interferão, herança da tuftsina.
Para aprofundar cada um isoladamente, o artigo Semax: para que serve em investigação trata do Semax em detalhe.
Qual escolher para o seu modelo de investigação?
Como a literatura não os apresenta como concorrentes, a pergunta não é qual é melhor, mas qual encaixa no modelo:
- Cognição, memória ou neuroproteção: o Semax 10 mg é o que aparece nesses trabalhos.
- Comportamento de tipo ansioso ou sinalização neuroimunitária: o Selank 10 mg é a referência.
- Estudos sobre BDNF: os dois têm literatura, e compará-los no mesmo modelo pode ser interessante justamente por chegarem de origens diferentes.
Quem trabalha com investigação cognitiva em geral pode comparar também com outra abordagem em Noopept vs Semax.
Porque é que a identidade importa em dois péptidos tão parecidos?
O Semax e o Selank têm o mesmo comprimento e terminam nos mesmos três aminoácidos. Para que uma comparação faça sentido, cada frasco tem de conter exatamente a sequência indicada. É aqui que entra a espectrometria de massa, que confirma a identidade, e o HPLC, que mede a pureza.
Na PureChems, os dois são vendidos em pó liofilizado, em frascos selados de 10 mg, com pureza igual ou superior a 99% verificada por um laboratório independente e um Certificado de Análise (COA) por lote. O guia como ler o certificado de análise de um péptido explica o documento, e onde comprar Semax resume o que pedir a um fornecedor. O envio parte de dentro da UE, discreto e com seguimento, com pagamento por cartão, Google Pay ou criptomoedas.
Como se conservam e manuseiam?
No laboratório, manuseiam-se quase da mesma forma, porque os dois são péptidos liofilizados:
- As fichas técnicas indicam conservação entre 2 e 8 °C, ao abrigo da luz. Para períodos longos, a prática habitual é congelar o frasco selado a -20 °C, protegido da luz e da humidade.
- Deixar o frasco selado chegar à temperatura ambiente antes de o abrir, para evitar condensação sobre o pó.
- Reconstituir com um solvente estéril adequado, manter a solução no frigorífico e usá-la num prazo curto.
- Evitar ciclos repetidos de congelação e descongelação da solução reconstituída.
A escolha de solvente está explicada em água bacteriostática ou ácido acético 0,6%.
Perguntas frequentes sobre Semax e Selank
Semax e Selank são a mesma coisa?
Não. Partilham a cauda Pro-Gly-Pro, mas o Semax deriva do fragmento ACTH(4-10) e o Selank da tuftsina, e são estudados em áreas diferentes.
Qual é a principal diferença para quem investiga?
A molécula de origem. Define os modelos experimentais e as vias em que cada péptido é estudado.
Os dois atuam no BDNF?
Os dois foram associados a alterações do BDNF em regiões do cérebro de roedores, mas em contextos experimentais diferentes.
Estão aprovados como medicamentos na UE?
Não. Só estão registados como medicamentos na Rússia. Fora daí são tratados como reagentes de investigação e não se destinam a uso humano nem veterinário.
Qual é melhor?
A literatura não os coloca em competição. A escolha depende do modelo de investigação.
Apenas para fins de investigação. Não destinado a consumo humano ou animal.